Mais um dia na minha vida, uma quinta-feira de verão, recebi uma ligação naquele fim de tarde. Fabiana me ligou marcando de sairmos naquela noite, em pleno meio da semana, cheio de trabalho e compromissos, mas eu nunca disse não. — Pelo menos a ela.
Imaginava que seria apenas mais um encontro de amigos, assim era a nossa relação, nada além de bons amigos, claro que quase rompemos a barreira da amizade. Eu acho ela muito linda, mas preferimos continuar amigos. Ela tinha outros planos, ou uma ideia melhor, ela sabia que eu estava solteiro, isso há um tempo e sempre que nos falamos ela desacreditava que eu estivesse sozinho ainda, talvez pensava que eu estaria na pior, mas não, eu estava amando a vida de solteiro — nunca mais me amarro, assim eu pensava.
Deixamos certo que eu iria buscá-la em casa, depois iríamos comer uma pizza e conversar, colocar o papo em dia, como disse antes apenas como dois amigos. Por volta das 19:00h eu estava na porta da casa dela, aguardando-a sair.
Uma surpresa tomou conta do meu olhar, uma reação inesperada quando vejo duas, não uma como esperava. — Não é possível — Fabiana não estava sozinha, uma outra morena a acompanhava vindo em minha direção, desci do carro apressado indo de encontro à elas, logo fomos apresentados e a conheci, por nome Kelly, dois beijos trocados, no rosto, senti a pele macia, um cheiro delicioso, um aroma gostoso, uma fragrância de mulher vaidosa.
A certeza imediata com uma tensão física que atropela as etapas seguintes. É aquele tipo de encontro onde a "atração" é tão forte que o protocolo de esperar a próxima oportunidade parece irrelevante. Por sorte ela foi ao meu lado, abri a porta do carro para ela sentar no banco do passageiro, Faby no banco de trás.
Enquanto dirigia eu admirava as pernas lindas, os pelos loirinhos dando um tom de sensualidade a parte em seu corpo. Ela logo notou que estava sendo observada, o meu olhar que a admirava, eu a consumia com os olhos.
No início, éramos apenas dois estranhos dividindo o mesmo espaço, mas a conexão foi automática, as coisas fluíram com uma facilidade desconcertante.
O contato visual tornou-se prolongado. O toque "acidental" no braço ao rir de uma palavra aleatória enviou uma descarga elétrica que ambos sentimos, mas fingimos ignorar.
O meu desejo por ela crescia de forma natural, não demorou muito chegamos a pizzaria, Kelly sentou ao meu lado na mesa, como se fossemos um casal que há tempo estão juntos. Fabiana sentou no lado oposto da mesa, à nossa frente, ela foi logo puxando assuntos aleatórios fazendo com que eu conhecesse melhor sua prima, ou que um conhecesse o outro.
— Como ela é linda — assim eu pensava cada vez que a olhava, os cabelos pretos lisos luminosos escorrendo pelos ombros, a cor da pele branca, mas queimada do sol.
Eu queria algo a mais, desejava a cada momento, nossas coxas se tocavam causando um choque, uma tensão percorrendo os corpos um e do outro, ela também sentia. Fabiana nos deixou sozinhos por um momento, tinha saído ao banheiro, abrindo portas para uma conversa mais íntima, mais calorosa, tive a oportunidade e fui logo puxando assunto pra saber mais sobre ela.
— Kelly, também tá solteira?
— Sim! — enfiei a mão entre as duas pernas dela, deslizando pouco a pouco pela coxa. Por baixo da mesa onde ninguém podia ver o que acontecia ali, ninguém, naquele ambiente cheio de gente, com garçons pra lá e pra cá.
Em menos de uma hora, já não ouvíamos mais o resto das pessoas ali. Descobrimos e obviamente queríamos sentir como também aproveitar o prazer que explodia dentro de cada um, o mesmo gosto por aventurar-se sob a mesma visão de mundo agora compartilhado.
Não tivemos muito tempo.
Foi preciso parar com a chegada da Fabiana que voltou à mesa — assim eu quis — Kelly puxou minha mão para que eu continuasse aquele carinho, aquela massagem leve, enquanto conversávamos de forma natural, nós três, minha mão alisava com um toque suave a coxa esquerda, às vezes apertava, fazia pressão querendo ver sua reação, ela era puro desejo num misto de sensações, hora prazer e outrora medo com um belo disfarce, comendo, respondendo com pequenas sílabas cada vez que necessário.
Mas a tensão estava ali, só aumentava como uma força unindo os dois, como um imã que atrai um ao outro, como dois metais prestes a derreter em um calor, uma chama de fogo quente e vivo. Eu estava completamente atraído, sentindo que a qualquer momento poderia agarrá-la ali mesmo.
Decidi que devia ser mais ousado.
Subi a mão indo de encontro ao meio de suas pernas. Assim fiz, pressionei firme causando uma reação assustada nela, que logo disfarçou fingindo um soluço.
Um calor consumia meu corpo, uma tensão forte carregada de desejo com um sabor de provocação, estava amando provocar ela ali, sentindo a sua pele arrepiar, o corpo endurecer, a posição dela mudar arqueando o corpo, salientando bem suas curvas. Agora ela sentava de forma bem provocante toda empinada, as pernas levemente abertas para melhor acesso da minha mão que a acariciava de forma precisa, no lugar certo, com os braços ela se apoiava na mesa, o copo de bebida na mão fingindo bem as minhas investidas. — Mas, que deliciosa sensação.
Acariciei de forma mais ousada, ela fechava os olhos de forma provocante, mordia o lábio inferior, baixava a cabeça, ajeitava o cabelo, prendendo atrás da orelha.
Decidi que devia parar, antes que fosse pior. Não sei.
Ela segurou firme na minha coxa, apertou com força, foi aliviando o toque e iniciando uma massagem leve, deslizando os dedos descendo e subindo até sentir o meu pau duro pulsando sob a roupa. Ela me olhou de lado como se quisesse falar alguma coisa, mas o seu olhar já dizia tudo, alisou mais um pouco e parou.
Terminamos a nossa refeição, mas não a provocação, era hora de voltar para casa, levantei em direção ao caixa para pagar a conta, as duas ficaram sentadas na mesa, conversando. — Como queria escutar o que as duas estão falando.
— Vamos? — falei assim que voltei.
As duas logo levantaram, Fabiana seguiu a nossa frente, Kelly levantou logo em seguida se posicionando na minha dianteira encostando levemente o corpo no meu.
— Hummm… — ouvi ela soltar um gemido tímido.
Que maravilha.
Que gostosa sensação, um pressentimento de que havíamos cruzado a tempos a linha tênue da amizade. Apoiei a minha mão na cintura dela segurando com uma leve força, me permitindo sentir mais uma vez seu corpo, suas curvas acentuadas delineando o quadril alinhado com a bunda empinada. O cheiro do perfume suave me tomando o olfato, eu a admirava por completo, desde as havaianas simples nos pés, os tornozelos finos me dando certeza de que ela gosta de um ato vigoroso, que o sexo com ela é intenso, as panturrilhas delineando a dobra do joelho, o par de coxas roliças, apertadas pelo short que usara, eu imaginara.
— Será que lá é assim, peludinha, cheia de pelinhos loiros ou lisinha?
Como sempre gostei e gosto, abri a porta do carro para as duas entrarem, estávamos a caminho da casa delas, Faby parecia estar com sono não parava de bocejar e admirar as luzes da cidade passar de forma instantânea pela janela do veículo, eu aproveitava para apoiar a mão na coxa da Kelly em mais uma provocação, ela não reprovava em nenhum momento, pelo contrário, puxava minha mão entre as coxas sentindo o calor, o dedo mindinho tocando na parte quente do corpo dela, eu retirava apenas para as trocas de marchas, voltava rápido e cada vez com mais intensidade e ousadia fazendo ela arfar, olhava pelo retrovisor e lá estava Fabiana se fazendo de desentendida ou estava mesmo focada em outra coisa lá fora.
No caminho nossos olhos se cruzaram em mais um momento de tensão, nenhum dos dois queria encerrar a noite. O convite para "tomar uma bebida" ou "ouvir uma música" enquanto passeávamos de carro pela cidade, ou quem sabe na casa de um deles foi feito com um sorriso cúmplice — ambos sabíamos que a bebida era apenas o pretexto necessário para ficarmos sozinhos.
"Havia uma urgência silenciosa no ar. Mal tínhamos decorado o nome um do outro, mas o corpo já reconhecia uma intimidade que a mente ainda tentava processar."
Sem muito demorar chegamos.
— Vou entrar, boa noite amigo.
— Boa noite, Faby!
— Vou deixar o portão encostado.
— Tá bom, eu entro já. — Kelly respondeu.